Anomalias do Desenvolvimento e Cistos Cerebrais

Anomalias do Desenvolvimento e Cistos Cerebrais

Malformação de Arnold-Chiari tipo I

É uma doença geralmente congênita, ou seja, o paciente já nasce com ela; porém pode ser também adquirida. Consiste no deslocamento das tonsilas do cerebelo para dentro do forame magno (canal em que passa a medula espinhal e parte do tronco cerebral), causando compressão das estruturas nervosas nesse local e dificuldade na circulação do líquor pelo sistema nervoso. Os sintomas mais comuns são dores de cabeça, principalmente ao fazer esforços, como tossir ou evacuar; dor no pescoço, fraqueza nos braços e/ou pernas, perda de sensibilidade nos membros, desequilíbrio, visão dupla, zumbido, alteração da voz, engasgos, dentre outros.

A malformação de Arnold-Chiari pode estar associada a outras doenças como a siringomielia e a invaginação basilar, por exemplo. Curiosamente, somente a menor parte dos pacientes que têm a doença terão sintomas; a maior parte permanecerá assintomática por muito tempo ou nunca irá desenvolver nenhum sintoma.

O tratamento dos pacientes sintomáticos inclui a descompressão da fossa posterior (parte do crânio em que se encontra o cerebelo), podendo ou não associar a artrodese cervical.

Síndrome da medula presa

A medula espinhal geralmente termina entre a primeira e a segunda vértebras lombares (L1L2) e dela sai o filo terminal, que a ancora ao cóccix. A síndrome da medula presa é uma condição que está associada a uma medula anormalmente baixa no canal vertebral associada ao filo terminal espessado ou com a presença de um lipoma (acúmulo de gordura) nas membranas que envolvem a medula.

Os sintomas mais comuns são fraqueza nos membros inferiores, perda sensorial, dores nas costas, escoliose e disfunção da bexiga, como perda urinária. Podem haver ainda alterações na pele na região lombar, como aumento de pêlos (hipertricose). A doença se manifesta principalmente em crianças e adolescentes, porém menos comumente pode se manifestar na vida adulta.

O diagnóstico é confirmado pela ressonância magnética da coluna lombar. A eletroneuromiografia pode trazer informações adicionais da força dos membros inferiores, tal como o estudo urodinâmico da função vesical (da bexiga).

O tratamento pode ser expectante para os pacientes assintomáticos ou cirúrgico para aqueles que desenvolvem sintomatologia.

Cistos aracnóides

São cistos que surgem durante o desenvolvimento do sistema nervoso central a partir da divisão da membrana aracnóide, uma das membranas que envolvem o tecido nervoso. Tais cistos contêm líquido, geralmente idêntico ao líquor, e estão isolados dos ventrículos cerebrais, causando acúmulo de líquido em outras partes do cérebro. A maior parte dos cistos são assintomáticos, porém uma pequena parcela pode crescer causando compressão das estruturas cerebrais levando sintomas como dor de cabeça, convulsões, perda visual, atraso do desenvolvimento na criança, hidrocefalia, dentre outros. O diagnóstico é dado pelo exame de ressonância magnética.

Os cistos assintomáticos devem ser acompanhados com exames periódicos para avaliar se está havendo crescimento ou o paciente desenvolvendo sintomas. Para os sintomáticos esses cistos devem ser tratados cirurgicamente, as opções mais comuns de tratamento são a fenestração por cirurgia aberta ou endoscópica e a derivação cisto peritoneal (implantação de cateter do cisto até a barriga, desviando o excesso de líquido e removendo o efeito compressivo).

@dr.pedroneurocirurgiao

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